História do Biquíni por Lilian Pacce

Biquíni Made in Brazil

Ao chegar ao litoral de Porto Seguro, na Bahia, em 21 de abril de 1500, Pedro Álvares Cabral viu coisas que acabaram provocando uma verdadeira revolução na cultura europeia. Pela carta que seu escrivão, Pero Vaz de Caminha, enviou ao rei dom Manuel, o que mais impressionou os navegantes portugueses no Novo Mundo foi o descobrimento da nudez. Andar nu contrariava os costumes, a moral e os valores religiosos vigentes na Europa, que saía da Idade Média e entrava no Renascimento. Eles, que viajavam para a Índia cobertos de panos e cheios de pudor, se espantaram com a naturalidade com que os nativos daqui expunham suas “vergonhas” sem nenhuma vergonha. 

 

Quase 500 anos depois, o biquíni explodiu como bomba atômica na Europa, dando o start para a revolução sexual e a liberação da mulher em todo o planeta. Isso porque, em julho de 1946, enquanto testes com a bomba eram realizados no atol de Bikini, nas ilhas Marshall, no Pacífico, dois criadores competiam pela autoria desse revolucionário traje de praia.

 

O estilista francês Jacques Heim (1899-1967) foi o primeiro a apresentar um modelo, batizado de atome (átomo). Para o lançamento, ele contratou um avião e mandou escrever com fumaça no céu: “Átomo: o menor traje de banho do mundo”. Pouco depois, outro francês, o engenheiro mecânico e estilista Louis Réard (1897-1984), reduziu ainda mais o tamanho da peça e contratou outro avião para estampar no céu: “Bikini: menor do que o menor traje de banho do mundo”. Começavam, assim, os disparos em torno do biquíni, que, até hoje, se reinventa e provoca. 

 

Inspirado nas notícias sobre os testes nucleares, Réard preparou um lançamento bombástico em Paris: em 5 de julho de 1946 apresentou sua coleção de moda praia durante uma espécie de concurso de miss patrocinado por ele, à beira da piscina pública Molitor – hoje um hotel de luxo –, atraindo todas as atenções. Com uma tirinha estreita na lateral, a peça expunha o umbigo (parte então considerada íntima por excelência) e deixava o bumbum da mulher à mostra em proporções similares às do sunquíni e da tanga décadas depois. A ideia era, de fato, bem ousada para a época, pois as mulheres ainda usavam apenas maiôs inteiros ou o chamado duas-peças, cuja cintura ficava a pelo menos 4 cm acima do umbigo.  A única participante do concurso que aceitou o convite de Réard para desfilar foi uma dançarina do Cassino de Paris chamada Micheline Bernardini, mesmo assim, após negociar um cachê especial.

 

O escândalo foi tamanho que a imprensa se retraiu e noticiou timidamente a invenção do tal biquíni, que, por ironia do destino, era estampado com manchetes de jornal, mas não chegou a ser manchete. Além disso, Réard patenteou o nome bikini e ameaçou processar quem usasse a palavra, inclusive a própria imprensa. Boicotada pela mídia, sua pequena grande criação, que antecipava os novos costumes da mulher do pós-guerra, teve pouquíssima divulgação. Conservadora, a Vogue francesa, por exemplo, ignorou a moda praia até meados dos anos 1950, quando, finalmente, inaugurou as seções Les Joies du Soleil e Les Joies de L’Eau (As Alegrias do Sol e As Alegrias da Água). Ainda assim, a revista aconselhava a leitora a usar o maiô inteiro

 

Caso a invenção de Heim tivesse provocado tanta onda quanto a de Réard – fosse por sorte ou mérito de marketing –, o novo traje poderia ter se chamado “átomo”. Mas, convenhamos, o termo “biquíni” se ajusta bem mais ao produto: remete à ideia de ilha paradisíaca e, etimologicamente, é o que mais se aproxima da realidade, já que “bi” se refere às duas peças (que já se transformaram até em triquíni e monoquíni). E, assim, Bikini passou de nome próprio a substantivo comum, e a patente de Réard foi engavetada. O mais curioso, no entanto, é saber que, até hoje, as mulheres de Bikini nadam de roupa! 

 

Enquanto tudo isso acontecia, no Brasil Dick Farney cantava a música em homenagem à praia que se tornou o cenário mais conhecido de todos os biquínis: “Existem praias tão lindas/ cheias de luz/ nenhuma tem o encanto/ que tu possuis/ tuas areias/ teu céu tão lindo/ tuas sereias/ sempre sorrindo [...]”. Copacabana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, foi gravada pelo cantor em 1946, ano em que o biquíni foi inventado e entrou para a história como uma das peças mais escandalosas da moda ocidental. Apesar do escândalo, logo virou uniforme das meninas que não saíam da praia – as chamadas “ratas”, “sereias”, “gatas”, “minas” ou “cocadinhas”, dependendo da época.

 

Embora tenha provocado um choque em meados do século 20, o biquíni é muito mais antigo do que se pensa. Existem imagens de 1600 a.C. em que mulheres aparecem usando peças semelhantes. E um mosaico do século 4, encontrado em uma cidade da Sicília, na Itália, já registrava mulheres praticando esportes de... biquíni! Por que será que o mundo demorou tanto para “absorver” a sensualidade implícita ao modelo?

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